Brasil
Em 26 de setembro de 1943, às 13h50, o paquete Itapagé passava na altura de Lagoa Azeda quando foi atingido a boreste por dois torpedos do submarino alemão U-161, comandado pelo capitão Achilles, e afundou em quatro minutos. Era um navio brasileiro de cabotagem da Companhia Nacional de Navegação Costeira, um dos 'Itas', construído no estaleiro Chantier de Normandie, em Rouen, na França. Sob o comando do capitão de longo curso Antônio da Barra, seguia sozinho do Rio de Janeiro para o Norte, porque fazia muita fumaça e era lento demais para acompanhar um comboio. Além dos passageiros, levava tonéis de ácido muriático e óleo diesel, 2.000 caixas de cerveja, dois caminhões e 30 mil panelinhas usadas na extração da borracha, e o ácido que estava no convés pegou fogo no ataque. Depois do afundamento, o submarino veio à superfície e marinheiros alemães fotografaram os náufragos e o local antes de seguir viagem.
O comandante, tripulantes e passageiros abandonaram o navio em botes, muitos foram resgatados por jangadeiros, e os náufragos chegaram às praias de Jequiá e Lagoa Azeda, onde foram acolhidos pelos moradores; médicos do Exército vieram de São Miguel dos Campos. Em Maceió, 22 feridos foram levados a um hospital, e o tripulante Domingos Silva Santos, que já havia sobrevivido ao naufrágio do Arabutan, morreu dos ferimentos em 27 de setembro. Ao todo, 22 pessoas morreram em consequência do ataque. Objetos do Itapagé estão expostos em um museu da Segunda Guerra Mundial em Maceió, organizado pela Major Elza.
Hoje o castelo de proa aparece partido no primeiro porão, onde o primeiro torpedo atingiu, e mais adiante o casco se fragmenta de novo, na região do segundo impacto. Na popa ficam expostos a quilha, a ponta do eixo e o leme, mas a hélice foi removida. No meio do navio se erguem dois motores diesel com mais de 5 m de altura e, ao lado deles, caldeiras e máquinas a vapor de tripla expansão. No corredor entre os dois motores circulam barracudas e tartarugas, e entre as espécies que frequentam o naufrágio predominam as barracudas, algumas com até 2 m, e as raias. O naufrágio concentra muitos peixes, e há também corais, peixes recifais e moreias; às vezes aparecem tubarões. Pela areia continuam espalhados garrafas de cerveja e de perfume, muitos pneus e, sob o primeiro mastro, as rodas e o eixo de um dos caminhões, e a corneta da buzina, uma das últimas peças do navio a funcionar, foi encontrada em 2008 e deixada no fundo. Na região de Maceió, a melhor época costuma ir de setembro a março, com água mais clara e mar mais calmo.
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